
10h às 13h - 15h às 18h
No dia 16 de outubro, o Atelier-Museu Júlio Pomar apresenta «Do Latente ao Visível – Ciclo de Conferências sobre Arte e Inteligência Artificial», organizado e moderado por Carolina Franco e João G. Ribeiro, da revista Shifter, em colaboração com o Atelier-Museu.
Este ciclo de conferências organiza-se em dois painéis: de manhã, das 10h às 13h, e de tarde, das 15h às 18h. Contará com a participação de Eva Mendes, João Laia, João Pedro Cachopo, Jonathan Uliel Saldanha, Mariana Pestana, Maribel Mendes Sobreira, Nuno Sousa e Silva e Silvio Lorusso.
A entrada é livre e sujeita à lotação do espaço.
Do latente ao visível
Na psicanálise, o termo latente serve para designar algo oculto, invisível ou inconsciente que motiva uma ação sem ser visível. Na terminologia da Inteligência Artificial, o espaço latente é o território matemático onde imagens, sons e textos existem em potência antes de serem gerados. O espaço liminar entre o comando e a resposta, o campo onde se escondem todas as possibilidades e mistérios. Entre um momento e outro, este ciclo pretende refletir sobre o que acontece quando o latente se torna visível e a geração artificial se incorpora na prática artística e na paisagem cultural.
No Atelier-Museu Júlio Pomar, onde para além de se expor arte, se reflete e dialoga sobre práticas artísticas e a sua relação com o tempo e o espaço. O Ciclo “Do Latente ao Visível” pretende abrir a reflexão sobre a iminência da Inteligência Artificial.
1º painel, das 10h às 13h / As possibilidades que a IA abre
Muito antes de se tornar tema, a Inteligência Artificial, nas suas várias formas, já era ferramenta: instrumento, material, interlocutor imprevisível, explorado ao longo de décadas na prática artística. Sistemas que geram, recombinam e alucinam, e que nunca se deixam controlar por inteiro. O que mudou, então, nos últimos anos, com o surgimento da IA generativa e a sua massificação? Este primeiro momento parte da prática artística para pensar as possibilidades que se abrem quando o processo criativo passa a ser (ainda mais) partilhado com a máquina: os novos gestos e as novas linguagens que daí podem surgir, mas também que relações com o erro e o acaso, com o arquivo e a memória, com o tempo próprio da criação. Mais do que perguntar se as máquinas criam, interessa explorar nesta conversa o território que se desenha entre o comando e a resposta, e o que nele permanece por descobrir.
Eva Mendes – curadora
Jonathan Uliel Saldanha – artista e compositor
Maribel Sobreira – ensaísta e curadora
Silvio Lorusso – artista, designer e autor
2º painel, das 15h às 18h / A intermediação no tempo algorítmico
Entre a obra e quem a faz, entre a obra e quem a vê, há sempre algo que se interpõe. A Inteligência Artificial é, ela própria, uma forma de intermediação: entre a intenção e o resultado, entre o gesto de um artista, os milhões de dados alheios que alimentam os modelos, e quem observa o resultado final. Ao mesmo tempo, desestabiliza as mediações que conhecíamos. A curadoria vê-se confrontada com algoritmos que selecionam e ordenam o que vemos. O direito procura redefinir a autoria e recalibrar formas de propriedade intelectual que mantenham o equilíbrio entre quem detém as máquinas e quem produz os dados que as treinam. A experiência estética reconfigura-se numa perceção cada vez mais filtrada. Neste segundo momento, curadoria, direito e filosofia cruzam-se para pensar quem, ou o quê, decide hoje aquilo que passa do latente ao visível, e quais as regras, práticas, protocolos e processos que norteiam esta transição.
João Pedro Cachopo – filósofo e musicólogo
João Laia – curador e autor
Mariana Pestana – arquiteta e curadora
Nuno Sousa e Silva – advogado