Exposições // Futuro
Artistas:
Júlio Pomar / Gabriel Abrantes
Curadoria:
Sara Antónia Matos
05.11.2026 // 28.02.2027
Inauguração:
05.11.2026 às 18:00

A exposição «Tragédia e Farsa. Júlio Pomar e Gabriel Abrantes», com curadoria de Sara Antónia Matos, dá seguimento a um programa de exposições do Atelier-Museu que, todos os anos, cruza a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas. Este cruzamento pretende estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade, indagando se os conceitos e as questões levantadas pelo autor continuam operativas no presente.  São algumas dessas questões (a relevância da prática pictórica na atualidade, o seu potencial crítico e político, e os diversos dispositivos de exposição) que Gabriel Abrantes procura problematizar. Deste modo, a exposição é pensada, desde a sua génese, como uma intervenção específica no espaço do Atelier-Museu e, este ano, enquadra-se no âmbito das comemorações do centenário de Júlio Pomar.

Ao desafiar Gabriel Abrantes (n. 1984) a realizar uma exposição que se focasse no domínio específico da pintura, realçando as suas questões mais prementes – “pintura, pintura”, como lhe foi pedido num dos primeiros encontros -, e após várias conversas com a equipa do museu, consulta de imagens referentes a obras, fotografias documentais, entre outros elementos, Abrantes avançou com a ideia de uma exposição com o título «Tragédia e Farsa». Trata-se, portanto, de uma alusão à observação de Friedrich Engels, desenvolvida por Marx, que no livro O 18 de Brumário de Luís Bonaparte (1852) afirma que a história ocorre duas vezes: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa.

A um núcleo de obras neorrealistas de Pomar, composto por O Almoço do Trolha (1946-50), Resistência (1946), Estrada Nova (1946) Marcha (1946) e Sem título (Rapaz) (1942?), Abrantes responde com obras em pintura e desenho para refletir sobre censura, opressão, violência, resistência e precariedade em 2026.

Recorrendo ao seu processo de trabalho habitual, ancorado em ferramentas digitais e computacionais utilizadas na criação de cenários e figuras em 3D, posteriormente materializado em transposições que operam no campo da pintura tradicional, Abrantes aproxima-se de Pomar, não apenas através dos meios artísticos – pintura e desenho – mas também das temáticas e assuntos inerentes aos quadros, portadores de crítica social.

Se por um lado, Gabriel Abrantes focou a sua atenção num período específico da produção de Júlio Pomar, por outro lado, interessou-se igualmente pelo modo como essas obras foram originalmente expostas. A partir de registos fotográficos da época, Gabriel Abrantes procurou então questionar e devolver algumas das qualidades dos antigos regimes cenográficos de apresentação da arte – protocolos museográficos que hoje assumem uma importância extraordinária na fruição e no reconhecimento da arte.

No piso térreo, a instalação concebida por Gabriel Abrantes evoca e atualiza a sala de 1947 da SNBA – Sociedade Nacional de Belas Artes, a partir das fotografias de Mário Novais da «II Exposição Geral de Artes Plásticas», que constituem fontes referenciais para entender a exposição e que aqui também se reproduzem. Os registos fotográficos de Mário Novais, disponibilizados pela Fundação Calouste Gulbenkian, dão conta das qualidades museográficas subjacentes a este tipo de mostras, cenografadas de um modo muito distante daquilo que hoje vemos acontecer em galerias ou museus.

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