Exposições // Presente
Artistas:
Júlio Pomar / Graça Morais / Daniel Moreira / Rita Castro Neves
Curadoria:
Ana Rito
26.11.2025 // 05.04.2026
Inauguração:
26.11.2025 às 18:00

Húmus é matéria em trânsito. Partindo desta premissa, a exposição HÚMUS, com curadoria de Ana Rito, apresenta-se no Atelier-Museu Júlio Pomar como uma ação ficcional e especulativa em torno dos ciclos de decomposição e regeneração, entre o fim e o reinício, entre a morte e o gesto criador.

Inspirada nas obras Húmus, de Raul Brandão (1917) e de Herberto Helder (1967) – dois marcos da literatura portuguesa que, apesar da distância temporal e formal, convergem na metáfora da terra como arquivo e força geradora – a exposição propõe um diálogo entre matéria e espírito, memória e transformação.

Em Brandão, o húmus é o solo sombrio da existência, a sedimentação da melancolia coletiva e da inevitabilidade da dissolução. Em Helder, o húmus torna-se energia incandescente, princípio alquímico de transmutação e de criação. Entre ambos, abre-se um campo fértil de metamorfoses, onde o gesto artístico participa do mesmo movimento de (de)composição e (re)nascimento.

No Atelier-Museu Júlio Pomar, Graça Morais, Júlio Pomar, Daniel Moreira e Rita Castro Neves, artistas de práticas e gerações distintas, percorrem territórios simbólicos onde se erguem arquétipos como a pedra, a morte e os mortos, a primavera, a árvore, o silêncio, a ressurreição e o sonho.

Reunindo mais de cem obras, HÚMUS apresenta trabalhos relevantes da vasta trajetória de Graça Morais, incluindo inéditos, e criações concebidas especificamente para este projeto pela dupla Daniel Moreira e Rita Castro Neves, cuja prática se define pela contaminação entre linguagens e disciplinas. A estas, juntam-se esculturas e obra gráfica de Júlio Pomar, além de vários desenhos nunca mostrados, unindo as diversas vozes num mesmo espaço de mediação e energia vital.

HÚMUS é, assim, um território de escuta e de transformação: um lugar onde a arte se torna matéria viva, húmus do tempo, das palavras e das imagens, em permanente estado de transfiguração.

A exposição contará ainda com um programa de atividades paralelas, conversas, visitas comentadas e outras ações, a anunciar oportunamente, que aprofundarão o diálogo entre arte, literatura e pensamento contemporâneo.

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